João Rita tinha uma pasta arquivo onde guardava todos os recortes de jornais e revistas, que tinham artigos e comentários sobre a sua vida desportiva.
Essa pasta arquivo, presentemente, é guardada preciosamente pela sua filha Ana que gentilmente a colocou ao nosso dispor, para que pudesse-mos copiar o material necessário à confecção desta página.
Agradecendo à sra Ana a sua amabilidade, aqui fica um resumo do que copiámos dessa pasta arquivo cuja foto está a seguir.

 

 

Nome: João Rita
Data de nascimento: 13 de Setembro de 1930
Local do nascimento: Galveias (Portalegre)
Posição em que jogava: Guarda-redes
Clubes por onde passou:
C.D.Caneças – 1944 a 1948
Atlético Clube de Portugal – 1948 a 1955
Caldas Sport Clube – 55/56 a 65/66
G.D.Nazarenos – 66/67 a 68/69
C.D.Caneças – 69/70 a 70/71

 

 

Na década de 50 foi considerado 1 dos 5 melhores guarda-redes portugueses, estando ao mesmo nível que os internacionais:
Barrigana (FC Porto) – Carlos Gomes (Sporting) – Ernesto (?) e Costa Pereira (Benfica)

 

 

Alguns brilharetes que o Rita fez ao serviço do Caldas quando o clube estava na 1ª Divisão:

Empate 0-0 no Estádio da Luz sendo Rita considerado o melhor jogador em campo.

Vitória do Caldas 3-2 sobre o Benfica no Campo da Mata, quando pontificavam no Benfica grandes nomes tais como:
Costa Pereira, Neto, Ângelo, Cruz, Alfredo, Coluna, Águas, Santana, etc.

Empate 3-3 com o F.C.Porto, mas esse jogo tem uma história...
Alguém do Benfica tinha oferecido 3000 escudos a cada jogador do Caldas se ganhassem esse jogo, mas como empataram, ficaram a "chuchar" no dedo.
O F.C. Porto seria nesse ano, campeão nacional.

 

 

Como guarda-redes, Rita era temido pelos avançados contrários.
Tinha na agilidade e na forma como saía aos cruzamentos, as suas principais armas.
Mas por vezes a vida é ingrata.
A partir da idade de apenas 62 anos, Rita viveu um drama pessoal.
O corpo outrora lesto e forte, pregou-lhe uma partida.
Um problema de cartilagem nos ossos do fémur obrigaram-no a andar apoiado em canadianas, além de lhe provocarem dores terríveis.
Mesmo deitado na cama, tinha grandes problemas para se virar.
Naquela altura o serviço de saúde era menos eficaz do que hoje.
Rita precisava de ser operado para melhorar a situação.
Para o ajudar financeiramente, foram feitas 2 festas de homenagem (bem merecidas)
Em Caneças com um encontro de futebol entre o Caneças e o Caldas (veteranos) no dia 13 de Novembro de 1992
Nas Caldas da Rainha com um encontro de futebol entre o Caldas e o Belenenses (veteranos) no dia 21 de Novembro de 1992
A seguir a estes encontros havia sempre um lanche convívio onde Rita recebia comovidamente abraços de fraternidade e solidariedade.

 

Há sempre um acontecimento mais marcante na carreira de um desportista.
Há sempre uma história, por vezes anedótica ou até burlesca, que nunca chega a ser esclarecida e João Rita conta precisamente um desses casos, por sinal bastante curioso:
Estar entre os postes nunca foi fácil e naqueles tempos as coisas eram ainda mais complicadas, pois era permitida a carga ao guarda-redes.
Um dia estávamos a jogar nas Caldas contra o Benfica e, ao sair a um cruzamento, salto à bola com o Cavém.
Já na descida. o internacional benfiquista acaba por ficar encaixado entre a bola e o meu peito.
Tentando tirar partido da confusão do lance, servindo-se da matreirice que certas jogadas de futebol proporcionam, o Cavém atira-se para o chão e alega que o mordi.
Perante a intervenção do árbitro, ainda tentei que ele tirasse a camisola para provar que estávamos perante uma farsa mas a verdade é que, depois daquela embrulhada toda, fomos os dois expulsos e o saldo foi só este:
Apanhei quatro jogos de suspensão e o Cavém apenas dois !

Sem ressentimentos mas consciente da justiça dessa ocorrência já distante, João Rita continuou a recordar:
Só mais tarde o Saraiva (defesa central), meu colega no Caldas e que depois ingressou no Benfica, me contou que o técnico brasileiro Otto Glória pediu ao Salvador para vincar os dentes nas costas do Cavém, quando os jogadores regressaram às cabinas, com receio que o árbitro pudesse desconfiar de alguma coisa, se entretanto, quisesse ver algo nas costas do avançado benfiquista.
O certo é que o imbrólio foi muito falado e cada vez que eu jogava no Estádio da Luz, era constantemente assobiado pelo público, que me acusou sempre de possuir bons dotes caninos !

E João Rita concluiu:
Um dia fui aos Correios levantar uma encomenda e para meu espanto vinha lá dentro um açaime !
Recebi aquilo sem azedume e até achei graça porque não tinha problemas de consciência.
Ainda hoje gostava de encontrar o Cavém para recordarmos um pouco este episódio e desfazer qualquer mal-entendido...